deus não pôs os ceptros nas mãos dos príncipes
para que descansem, senão para trabalharem
no bom governo dos seus reinos.
segunda-feira, 13 de novembro de 2006
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"Demócrito ria, porque todas as coisas humanas lhe pareciam ignorâncias; Heraclito chorava, porque todas lhe pareciam misérias: logo maior razão tinha Heraclito de chorar, que Demócrito de rir; porque neste mundo há muitas misérias que não são ignorâncias, e não há ignorância que não seja miséria". Pe. António Vieira
3 comentários:
Amén!
Ó pá... tu não andas a ver filmes de fantasia a mais?
Deus está no céu, pá ... não anda a dar ceptros a ninguém, pá!
O problema é que são os ceptros que mandam, pá! Não são os príncipes....
Isto do capitalismo, numa sociedade que intencionalmente diz querer valorizar o indivíduo na sua essencia de humanista, mas simultaneamente o calca ao sabor dos pormenores técnicos e dso subterfúgios tem muito que se lhe diga....
Haváamos de ter um Tribunal novo... o da Moral, e com penas pesadas!
O post é uma citação de Dom Luís da Cunha retirada do seu "Testamento Político" redigido no séc. XVII e deve ser lida e intepretada de acordo com a concepção de Estado absolutista vigente por essas alturas. Nesta concepção a legitimação da autoridade política era de carácter teológico. Isto significa que o Rei detinha o poder porque Deus, na sua divina ciência, assim o queria. Daí que tivesse colocado o ceptro na mão do príncipe (ler no sentido de Maquiavel). No entanto, na tradição portuguesa na esteira dos acontecimentos da batalha de Ourique, não só haveria a divina providência a legitimar o poder mas também a vontade dos "súbditos" manifestamente expressa a Afonso Henriques.
Neste sentido é necessário acautelar que o exercício do poder é feito em benefício dos "súbditos" e não em benefício do príncipe.
Daí que o ceptro tenha sido colocado nas mãos do príncipe não para seu descanso mas para que ele trabalhe no bom governo do seu reino. Daí se retira o conceito de que o poder acarreta responsabilidade e quanto maior o poder maior a responsabilidade do seu exercício.
As palavras de Dom Luís da Cunha devem ser entendidas no Séc. XXI de forma metafórica e não literal.
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